Hoje estou postando minha primeira parte sobre tema de análise
que escolhi ligado à Identidade e Cultura.
Começarei expondo sobre alguns de meus não-entendimentos
sobre o porquê de algumas coisas no alemão serem como são.
Para quem nunca teve contato com a língua, devo-lhe
explicá-los primeiramente que o alemão tem três gêneros no singular: feminino,
representado pelo artigo definido “die”, masculino, representado pelo “der” e o
neutro, representado pelo “das”.
Palavras classificadas como de gênero neutro são bastante
arbitrárias, a meu ver. As palavras vindas de línguas estrangeiras, mas
bastante usadas no alemão, geralmente são classificadas neutras, como por
exemplo: Restaurant, Sofa, Acessoires etc. O caso que não me parece fazer
sentido porém é que “a menina” é “das Mädchen” em alemão (observação: em
alemão, todos os substantivos são escritos com a inicial maiúscula, independe
de sua localização na frase).
Para mim, não faz sentido algum. Menina é claramente
feminino, a meu ver!
Mas para os alemães parece que não...
A primeira explicação que me propus sobre o caso foi a
partir da regra das palavras no diminutivo: todas as palavras, quando faladas
no diminutivo, recebem um sufixo “lein” ou “chen” (as vezes também uma trema
numa das vogais da palavra) e são classificadas neutras. Por exemplo:
die Blume : das
Blümchen (a flor : a florzinha)
der Kuss : das Küsschen
(o beijo : o beijinho)
Pensei então que “das Mädchen” portanto se tratava de um
substantivo no diminutivo e que as meninas era carinhosamente chamadas de “menininhas”.
Porém outro substantivo para “menina” é Mädel (que parece
Mädchen fora do diminutivo). Mas o gênero de “Mädel” também é neutro! “Das Mädel”
e não “die Mädel”, como eu esperava!
Perguntei a alguns alemães sobre o absurdo que representava
pra mim classificar “menina” como gênero neutro.
Muitos não souberam explicar, outros disseram que crianças
não precisam ter gênero definido. Ou seja, assim como “a criança” é “das Kind”,
“o bebê” é “das Baby”, também “a menina é “das Mädel” ou “das Mädchen”.
Estranho porém é que “o menino”, “o garoto” não passa por
tal “não necessidade em diferenciação estrutural para diferenciar um gênero
de outro”.
“O menino” = der Jung
Enfim, acho bastante curiosa a forma em que o destaque ao
feminino parece pouco interessante e, eu diria, até um tanto desprezado na
língua.
O plural da língua, a propósito, não é separado por gênero e
representado também pelo artigo “die”. Tal fato leva a pensar-se que o plural,
a generalização de maiorias, se assemelha mais ao feminino e isso, em muitas
línguas parece interessante (creio que aos lusófonos principalmente, que
geralmente representam os plurais generalizando para o masculino, como: os
pais, os irmãos etc).
Eu porém diria que o caso se assemelha mais a um descaso em
diferenciar o gênero feminino que uma “vantagem” em se generalizar plurais mais
próximos ao feminino. Isso porquê, além de algumas outras observações, o alemão
possui quatro casos de declinação: nominativo, acusativo, dativo e genitivo. E
dentro de cada um deles, a diferenciação do gênero masculino dos demais é bem mais
clara (apesar de as vezes se igualar ao neutro) e marcada. No acusativo, caso
usado para referir-se ao objeto da frase, ou seja, ao receptor da ação do verbo,
por exemplo, só há diferença na estrutura formada para os substantivos e
pronomes masculinos!
Enfim, pretendo em breve perguntar novamente a alguns
alemães que conheço e postarei aqui qualquer atualização sobre o tema.
Por enquanto, deixo aqui minha pergunta aos que leram: o que
vocês acham sobre o tema? Comentem no post, por favor, caso já tenham tido algum
contato com a língua e já ficaram espantados, como eu.
Caso nunca tenham tido contato com o alemão, o que vocês pensam sobre sexismos nas línguas?
Se possível, citem algum exemplo, pode ser também relacionado à língua que vocês dominam ou qualquer curiosidade que vcs conheçam sobre algum idioma.
Acredito que a língua faz parte da cultura de m povo, e justamente por isso expressa aquilo que o povo pensa e, no caso do alemão, fica claro que a mulher não recebia muita importância o que aparece na língua. Obviamente que hoje pode ser que mulher tenha mais valor e importância na sociedade alemão, porém como esse idioma é um dos mais antigos, ele reflete qual era o valor da mulher muitos séculos atrás dentro dessa sociedade.
ResponderExcluirEu sempre tive a impressão que o alemão era uma língua menos machista justamente por causa dos pronomes femininos terem mais usos, dentre eles o "Sie" formal, que eu achei que era até uma certa forma de respeito. Não tinha pensado que justamente essa não diferenciação podia ser reflexo de um certo machismo, mas faz bastante sentido. É um raciocínio inverso do que eu tinha.
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