segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Gêneros e Choques Culturais: Minha Experiência

Durante o ano de 2012 morei na Alemanha e nesse post venho contar alguns choques culturais que tive desde os primeiros meses.
Primeiramente, lá não tem só o estereótipo “2m de altura, loiros, olhos azuis”. Claro que existem, mas também não tem muito a ver com a imagem que temos ao vê-los na televisão, por exemplo. Grande parte da população também é ou descende de turcos, ou seja, são pessoas de cabelos e olhos geralmente bem escuros.

Outra curiosidade cultural é que muitas mulheres estrangeiras que moravam lá e namoravam ou casaram-se com alemães era sobre o hábito que os homens tem em sempre deixar sempre que a mulher faça faz planos, escolha um lugar para saírem, o que vão jantar e afins sem contribuírem com sugestões ou com suas opiniões sobre os planos, mesmo que lhes perguntem sobre. A maioria dessas mulheres queixava-se de que tal atitude parecia demonstrar descaso, desinteresse por elas, o que, na verdade, descobrimos ser um gesto para demonstrar importância e interesse, uma vez que tal forma de agir representava que o interesse pela mulher era tamanho, que ele aceitaria acompanhá-la a qualquer que fosse o roteiro escolhido. 
Para eles, mulheres que esperam que o homem tome a atitude ou opine sobre a escolha parecem ser fracas, incapazes de decidir o que querem.
As mulheres lá me parecem também bastante aversas ao pensamento machista que vejo intrínseco na cultura e nas próprias mulheres brasileiras. Um amigo meu, que trabalha numa empresa alemã, contou-me que uma moça alemã veio à filial brasileira e ele foi encontrá-la no aeroporto. No momento, ele achou gentil oferecê-la ajuda com as malas. A resposta dela foi, com uma expressão de insatisfeita, de desgosto que ela era bastante capaz de carregar suas próprias bagagens. 

Outro choque, por sempre ouvir aquela típica fala de que “só no Brasil acontece isso”, foi quanto ao comportamento dos alemães em festas e baladas. O beijo lá é considerado algo muito íntimo. Acontece nas festas geralmente de cidades grandes, onde pode-se encontrar pessoas de todos os cantos do mundo, mas na visão alemã, é muito mais comum, por exemplo, passar a mão nas nádegas das meninas para demonstrar interesse (resumidamente: interesse físico e momentâneo) que efetivamente beijar. O “ficar” deles parece começar aí, mas beijar já leva um pouco mais de tempo e conversa e, ainda assim, não é muito provável que aconteça. 

Uma amiga brasileira que morava em Munique, por exemplo, me contou sobre uma vez conhecer um rapaz na balada e ele a convidar para que fossem dormir na casa dele. Ela aceitou mas não imaginou que eles iam literalmente chegar e dormir. Foi uma gentileza dele apenas para que ela não voltasse pela madrugada para casa sozinha.
Outro espanto para mim foi que sempre lemos sobre a má reputação das brasileiras no exterior, porém vê-se muitas alemãs vestindo shorts e camisetas regatas quando a temperatura está por volta de 10ºC! Durante o carnaval a temperatura variou onde eu estava entre 0º e -1ºC e haviam muitas meninas nas ruas vestindo shorts, algumas até sem meia-fina.

“Beber” (bebidas alcoólicas, geralmente cerveja) e “Alemanha” parecem uma combinação bem natural também. E é! Na época, lembro que alguns alemães me contaram que alcoolismo está entre os primeiros problemas de saúde pública em Munique, por exemplo.
E você? Já esteve na Alemanha ou teve um choque cultural em algum outro lugar? Se lembrou de alguma curiosidade lendo esse post e quiser contar, apreciarei vossos comentários.
Obrigada! :)

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